
O projeto de extensão “O jornalismo em Sergipe e suas pautas: grandes questões” realizou seu primeiro encontro reunindo profissionais, pesquisadores e estudantes para discutir a cobertura jornalística de feminicídios. A iniciativa, que realizou sua primeira atividade na última semana, é desenvolvida em parceria com o Sindicato dos Jornalistas de Sergipe (Sindjor), o Departamento de Comunicação da Universidade Federal de Sergipe (DCOS/UFS) e o Programa de Pós-Graduação em Comunicação (PPGCOM/UFS).
A mesa contou com a participação da delegada de polícia e secretária estadual de Políticas para as Mulheres (SPM/SE), Georlize Teles; da jornalista e pesquisadora Kamilla Abely; e da professora Michele Tavares, com mediação da jornalista Elisângela Valença. Durante o encontro, foram discutidos desafios éticos e práticos na cobertura de casos de violência contra mulheres, com destaque para a responsabilidade social do jornalismo, a necessidade de evitar a revitimização e o cuidado com a forma como essas histórias são narradas.
A professora Michele Tavares destacou a importância da participação da universidade para o fortalecimento do debate, ressaltando seu papel no diálogo com a sociedade e com a categoria profissional. “É muito importante ter esse espaço, né, primeiro pela iniciativa do evento como uma atividade de extensão, que fortalece esse diálogo entre o sindicato e a universidade, mas também, quando a gente entra mais especificamente na questão da cobertura sobre feminicídio, isso se torna ainda mais fundamental, urgente e necessário, diante do cenário de casos que vêm acontecendo”, afirmou.
Para Kamilla Abely, a criação de espaços como esse fortalece a aproximação entre universidade e mercado profissional. “É uma iniciativa bem relevante, principalmente pelo diálogo que a gente estabelece entre academia e mercado. Essa troca é fundamental, porque muitas vezes o que a gente produz na academia não chega aos profissionais que precisam desse olhar crítico”, afirmou.
A pesquisadora também ressaltou a necessidade de uma cobertura mais ética e responsável, especialmente em casos de feminicídio. Segundo ela, é fundamental adotar uma abordagem que considere as dimensões de gênero, raça e classe, evitando estereótipos e a revitimização. “Nomear como feminicídio já é um passo importante, assim como evitar dar protagonismo ao agressor ou tratar esses casos de forma sensacionalista”, pontuou. A programação do projeto terá continuidade com novos encontros, que devem abordar temas como inteligência artificial, tecnologia e os impactos das redes sociais no jornalismo.
